Planeta Lixo

Numa sociedade capitalista, montanhas de resíduos são acumulados tornando a terra um lugar cada vez mais inabitável. As mudanças climáticas avançam ocasionando catástrofes ambientais em diferentes locais do mundo. A fome, a miséria e a seca, além da violência, intolerância e guerras, obrigam muitos povos a vagarem pelo mundo em busca de melhores condições de vida. Doenças causadas por vírus como a covid-19, espalham-se provocando milhares de mortes enquanto enfraquecem as frágeis democracias e economias. Essa somatória de fatores mundiais, somados aos problemas sociais e políticos Brasileiros, nos impelem a tratar, de forma poética, de assuntos fundamentais no enfrentamento da realidade.

O ser humano vem gerando montanhas de lixo há muitas gerações. Vivemos em um mundo de consumo e descarte, sem o devido valor ao desenvolvimento de ações de reutilização e reaproveitamento, bem como da redução do uso destes materiais.

Foi neste lado "sujo" da humanidade que fomos buscar "inspiração" para o "Planeta Lixo": Com resíduos que vão do teto ao chão, criando um ambiente ao mesmo tempo diverso e claustrofóbico, onde os artistas têm seus movimentos tolhidos, onde embalagens se transformam em personagens, que apontam para um futuro onde o plástico faça parte do "DNA" humano. Assim, ressignificados, todos esses resíduos ganham novas formas e nos ajudam a ter uma dimensão, ao mesmo tempo real e poética, sobre a necessidade premente de termos atitudes mais responsáveis de consumo.

Apesar de ser pouso, morada e inspiração para muitos artistas, em São Francisco do Sul/SC predomina a falta de ações continuadas na área artística e cultural que possam refletir em mudanças positivas para a comunidade, melhorando sua noção de pertencimento. Carecemos de ações que desenvolvam a geração de renda e a profissionalização de forma digna para os artistas locais, alavancando a nossa economia criativa. É certo que em 2016, com a retomada do Conselho Municipal de Cultura e, mais recentemente, com o seu fortalecimento, somados aos esforços de alguns empreendedores culturais, tivemos avanços. Mas, ainda assim, existe um longo caminho a ser trilhado na cidade para que de fato os artistas tenham recursos para poderem desenvolver seus trabalhos, para que a população possa usufruir frequentemente de diferentes manifestações artísticas e culturais.

É nesse contexto que a banda Nave Drassa busca encontrar maneiras de construir suas obras, para expressar também essa urgência, essa carência. Como romper as barreiras impostas por uma cidade pequena? Afinal, somos uma banda do interior de Santa Catarina. Num contexto de pouca valorização do fazer artístico e do artista como agente econômico? Como sobreviver fazendo arte autoral? Sem seguir as tendências da moda? Sendo crítico e político em um momento de polarizações? São desafios que refletem nossas escolhas por temas que nos ajudem a valorizar e a cuidar uns dos outros, do meio ambiente e dos seres que nele habitam, resgatando sentimentos como o amor e valores fundamentais como a ética e respeito.


CONCEPÇÃO CÊNICA


O ser humano vem gerando montanhas, continentes de lixo há muitas gerações. Desde aquela bituca de cigarro jogada na esquina, ao lixo mal descartado, vivemos em um mundo de consumo e descarte, sem o devido valor ao desenvolvimento de ações de reutilização e reaproveitamento, bem como da redução do uso destes materiais.

Foi neste lado "sujo" da humanidade que fomos buscar "inspiração" para o cenário e os figurinos de "Planeta Lixo": em pouco tempo, utilizando apenas materiais de reaproveitamento de figurinos velhos, junto de lixos recicláveis que a banda mesmo gerou, e coisas que acumulamos ao longo dos anos, chegamos a este mar de lixo. Assim, ressignificados, todos esses resíduos ganham novas formas e nos ajudam a ter uma dimensão, ao mesmo tempo mais real e mais poética, sobre a necessidade premente de termos atitudes mais responsáveis de consumo.

O processo de criação deste conceito remonta do início da banda, em 2016, quando as primeiras ideias foram sendo formadas, tendo o conceito de "sujeira/lixo" como base. Este conceito foi retomado em 2018, durante a produção do show "PEDRADA". A banda se reuniu na sede do Instituto Babaétoungá, o Casarão das Palmeiras, para fazer experimentações na construção dos figurinos, sob a direção de arte de Jeanine Rhinow. Atualmente a banda e a diretora de arte aprofundam suas criações em "Planeta Lixo". Desta vez com resíduos que vão do teto ao chão, criando um ambiente ao mesmo tempo diverso e claustrofóbico, onde os artistas tem seus movimentos tolhidos, onde embalagens se transformam em personagens, que apontam para um futuro onde o plástico faça parte do "DNA" humano.

As fontes de pesquisa e inspiração são diversas: de artistas ao redor do mundo que utilizam estas linguagens, como Vik Muniz, Efigênia Rolim e Helio Leites; passando pelo trabalho do artista visual francisquense Paulinho Anselmo; a um andarilho que vivia em cavernas em São Francisco do Sul e pessoas simples que fazem muito com o pouco que têm.

Chegamos ao resultado estético buscado, com o uso de elementos do lixo "enfeitando" os figurinos, preenchendo o palco e ainda criando máscaras amplamente exploradas pelos artistas em suas performances.